quarta-feira, 20 de abril de 2011

Ainda a unha encravada

Lembram-se daquela minha unha encravada/inflamada que teria de ser tratada por um médico? A maratona para conseguir uma consulta foi tamanha que acabei eu mesma tentando resolver o problema. Duas semanas depois da trágica tentativa, consegui finalmente ir a um médico de família e ele receitou uma pomada. Também me encaminhou para uma especialista - podologiste - para tratar da unha. Duas semanas depois, finalmente, cheguei no consultório da moça. Ela quase não falava inglês. Entreguei o prontuário que o médico havia me dado e ela me sinalizou que sentasse numa cadeira. Pegou um aparelho que lixa e faz polimento e tratou a unha do dedão do pé direito. Terminou de fazer o serviço e olhou para mim. Sinalizei a ela que a unha do dedão do pé esquerdo também estava com problemas. Ela lixou com o aparelho. Terminou, tirou as luvas e voltou para a cadeirinha dela. Expliquei que precisava de tratamento em todas as unhas, que meu pé necessitava de um "trato". Ela explicou (pelo que pude entender) que só poderia tratar as unhas dos dedões pois o médico só havia indicado o tratamento dessas unhas. "Mas e os outros dedos?", perguntei atônita. "Você tem de agendar um horário com uma pedicure", ela respondeu. "Mas você não é podóloga, não trata das unhas todas?". "Sim, sou podóloga e meu trabalho é tratar problemas nos pés de forma terapêutica, e não estética, e o seu prontuário só fala numa unha, a do pé direito, e eu já tratei das duas unhas, a direita e a esquerda".
Cobrou 10 euros por ter "tratado/lixado" as duas unhas e abriu a porta para eu sair, pois já tinha outra paciente aguardando (as consultas aqui são super-rápidas.)
Lamentei não saber falar holandês para exigir meus direitos de consumidora! Foi a gota que faltava para transbordar o meu copo de "saco cheio". Senti-me explorada, aviltada. Fiquei lívida, depois roxa, vermelha, com raiva, com calor, com frio, tudo ao mesmo tempo.
Saí do consultório tão desorientada que até errei o caminho de volta. Que vontade de gritar! Se fosse só um caso isolado eu teria rido, mas essa aventura com a unha encravada, a coisa mais simples e banal do mundo, demorou demais e me deu mais dor de cabeça e despesa do que uma obturação no dente!
A primeira providência a tomar assim que voltar para o Brasil é agendar um horário com a minha podóloga, que me trata há anos e tem uma cadeira superconfortável - com massagem nas costas!!! Como diz a Marta, o Brasil é o paraíso nesse aspecto (e em vários outros). Lá, manicures, pedicures, podólogas, cabeleireiras atendem a gente superbem e nos mimam, pois desejam conquistar e fidelizar os clientes.
Percebi que aqui vários profissionais tratam a gente (os estrangeiros) com profissionalismo sim, que se traduz em distanciamento, frieza e uma certa dose de "vá-te catar"... HUMPF!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Breve aula de geografia

The Netherlands (em holandês, Nederlands) recebe a tradução de Países Baixos. Na linguagem informal, chamamos os Países Baixos de Holanda. No entanto, existe a Holanda e a Holanda. Vou explicar. Os Países Baixos são um grupo de 12 províncias. Cada província tem sua capital. Uma dessas províncias é Holland (Holanda). Há North Holland (onde fica Amsterdã) e South Holland (onde fica Roterdã). Outras províncias são North Brabant (onde fica a cidade de BoZ), Zealand, Utrecht (onde fica a cidade de Utrecht) etc., etc. Isso às vezes pode causar confusão, pois quando você está em Amsterdã está na província da Holanda, na Holanda, mas quando está em Utrecht, por exemplo, está nos Países Baixos, mas não na província da Holanda. OK, OK... não se preocupe. Afortunadamente, em português a gente acaba sempre estando na Holanda...
Em inglês é que há uma certa confusão, pois a gente diz "I'm in Holland" somente quando está nessa província (Amsterdã, Roterdã...). Como eu estou em Bergen op Zoom não posso dizer "I'm in Holland". Tenho de dizer "I'm in the Netherlands, in North Brabant, in the city of Bergen op Zoom". [Ai, abençoada Língua Portuguesa!!!]
Segue um mapinha pra vocês verem as províncias...
Esse blog tá cada vez mais didático e cultural, hein?!

domingo, 17 de abril de 2011

Haia (Den Haag)

Se você perguntar a um holandês como se chega em Haia, ele vai dar de ombros. Isso porque Haia, na língua holandesa, é Den Haag e a pronúncia é "Denarr". Diferente, não é mesmo?
A cidade é a terceira maior da Holanda (depois de Amsterdã e Roterdã) e é, além de sede do governo e centro político, a cidade onde vive a família real (a capital, contudo, é Amsterdã).
Sempre tive curiosidade de conhecer essa cidade por causa de Rui Barbosa (o "Águia de Haia"), que recebeu esse apelido depois de ter discursado numa conferência de paz da ONU.
[É incrível como algumas coisas marcam. Trago essa curiosidade desde a infância.]
Depois de visitar a cidade e considerá-la "como as demais que vi", fiquei me perguntando o que diria Rui Barbosa numa conferência de paz nos dias de hoje.
Bem, sem mais delongas, seguem fotos...


 
Vista externa dos prédios do Parlamento (Binnenhof). Esse prédio "sextavado" à esquerda é uma pequena torre que esqueceu de crescer...
Parlamento e Hofvijver (lago que exalava um terrível cheiro de peixe nesse dia)
 

Vista do pátio interno do Binnenhof  - e da fonte

No pátio interno do parlamento vê-se o salão dos cavaleiros - Riderzaal. Parece uma igreja, né?

Vista lateral do Riderzaal

Portal interno do Binnenhof
Estátua de Guilherme II, um heroi nacional, do lado de fora do parlamento.
(Sou capaz de jurar que essa estátua é igual a uma de Simon Bolívar que vi em algum lugar...)

Mauritshuis - construída por Maurício de Nassau, essa casa é hoje é um museu que abriga, entre outras preciosidades, o quadro "Moça com brinco de pérola", do pintor holandês Vermeer.
Turista típica...
Entrada principal do Binnenhof


Vista do parque com o lago Hof e o parlamento.  Note as silhuetas de prédios supermodernos atrás, fazendo um contraste surreal
Hofvijver (em holandês significa lagoa do tribunal ou algo parecido)
Um lado moderno de Haia
Entrei na Biblioteca Central de Haia. Quatro andares de livros à minha disposição e eu não consegui ler nada...
Mais biblioteca de Haia
Lá vem o "tram"!
A caminho da estação de trem, deparei-me com essa passagem.
Achei curiosa a grafia HOLLANDIA...
A cidade tem estátuas por toda parte.
(Infelizmente, esqueci quem foi e o que fez este senhor...)


sexta-feira, 15 de abril de 2011

Cheiros

Uma amiga me perguntou como são os cheiros aqui na Holanda.
Bem, posso dizer que, como em todos os lugares, os cheiros dependem de onde estamos (e perto do que estamos!).
Agora que a primavera começou, há umas cercas vivas nas ruas de BoZ que exalam um cheiro parecidíssimo com o de fermento biológico. [Se você não sabe como é, abra um tabletinho de fermento Fleishmann e fique cheirando]. Horrível!
Há um vizinho aqui que fuma maconha o tempo todo. Entra no elevador fumando e deixa a gente zonza. Nem é preciso ir aos cafés. Basta uma viagem do térreo ao segundo andar na companhia do rapaz. A gente fica chapada só com a fumaça!!! Aliás, o dito-cujo é o holandês mais simpático e comunicativo que conheci. Pudera, está sempre "nas nuvens"!
Outro aroma que entra fundo nas narinas é o dos temperos (já comentei que moro num prédio em que grande parte dos moradores é de origem islâmica?). Quando se aproxima a hora do jantar, haja apetite. Os cheiros vêm de todos os lados e invadem as narinas da gente como aquelas fumacinhas dos desenhos animados. Imagino os cardápios da vizinhança de acordo com o cheiro dos ingredientes: carne, peixe, frango, alho, cebola, curry, páprika, canela...
Também há cheiros bastante desagradáveis, como os de urina de cachorro (e de gente) nos elevadores, de fezes nos parques e ruas, de coisas em decomposição...
Mas o cheiro que mais me marcou foi o que senti quando entrei numa loja de chocolates, na Bélgica. Não foi apenas o cheiro. Foi o conjunto todo: as cores, os aromas, os sabores...  Esse sem dúvida é o cheiro que quero guardar sempre comigo.

A Europa não é isso tudo

Algumas pessoas são muito deslumbradas quando se fala em Europa. Acham que tudo aqui é lindo, maravilhoso, que todos são educados, cultos, éticos, que tudo funciona, isso e aquilo...
Não é bem assim! Há algumas coisas boas, mas há problemas de todo tipo, em todos os países, com todo tipo de pessoa. E não é tão glamuroso e maravilhoso viver aqui como se imagina por aí.
Talvez para os supermilionários ou os turistas de "final de semana" seja, mas para quem vem trabalhar, em busca de uma vida melhor, as coisas são difíceis, por vezes amargas.
Tenho presenciado e vivido situações que nunca vivi no Brasil. Pra começar: o preconceito e a discriminação aqui são pesados contra estrangeiros.
Viver em uma cultura que não é a sua - e falando uma língua diferente da nativa - afeta a identidade da pessoa. É preciso se adaptar a uma nova realidade e acatar novos parâmetros e valores - que muitas vezes não são harmônicos com nossos próprios parâmetros e valores.
Conheci, em minhas viagens por esse mundo afora, gente de todo canto, de diferentes idades e com diferentes condições financeiras vivendo no exterior. Nenhuma dessas pessoas se sentia completa ou feliz fora de seu país. Sentiam na pele o peso de trocar uma vida por uma ilusão, uma ideia comprada. Vi muita tristeza em seus olhos. E continuo vendo.
Muitas das pessoas que sofrem aqui não querem que seus parentes e amigos saibam o que realmente vivem. Acabam escondendo a verdade e mascarando a realidade. Algumas vezes agem por vergonha, outras por orgulho, falta de opção e, ainda, por medo.
Vocês devem estar me achando um pouco amarga, mas é que cansei de ouvir comentários do tipo: "Fulana tá "nas Europa", é? Que chique! Deve estar tendo um vidão lá". Sabe o que é esse "vidão" para a maioria das pessoas? Trabalhar em empregos que quase nenhum europeu quer, ser tratado como um burro de carga, discriminado, pagar impostos altíssimos e ainda agradecer por ter emprego numa época de grave crise econômica, mesmo que seja "nas Europa".
É preciso repensar essa visão eurocêntrica. Hoje em dia o "velho mundo" está mais para centro dos problemas do mundo. É certo que tem seu peso na história mundial - para o bem e para o mal - e não se pode negar que teve e tem grande influência na forma como se constituiu o pensamento ocidental.
Mesmo assim, não é o melhor lugar para se viver, podem acreditar. (Reparem que falo em viver, não em visitar e conhecer).
Com todos os problemas que enfrentamos no Brasil, ainda é melhor viver na Terra Brasilis do que "nas Europa".

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Keukenhof - 2

Mais fotos do parque Kokenhof...
Canteiros coloridos e floridos por toda parte
Essa cabana mais parecia uma cesta de vime de ponta-cabeça!
Uma escultura ao lado da outra!
Outra escultura. Notem o hipnotizado turista à direita...
Espelhos d'água por toda parte (sem Aedes Aegypti!)

Uma cortina de orquídeas
Quem disse que não é possível cultivar um jardim num carro?
Por enquanto é só, pessoal... Até a próxima!


Keukenhof - 1

Sabe aquelas imagens de campos floridos super coloridos, como se fossem um arco-íris plantado na terra? Pois é... esses campos existem em algumas partes da Holanda, principalmente na região em que se situa o parque Keukenhof (leia-se "Coquenrôf").
O parque só permanece aberto para visitação durante 2 meses por ano: abril e maio. Vem gente do mundo inteiro admirar e fotografar os mais variados tipos de flores e plantas.
O lugar é realmente lindo e, quando as flores estão no auge da floração, não se sabe pra que lado olhar primeiro.
Além das flores a céu aberto, há pavilhões com preciosidades. Não sou aficcionada por orquídeas, mas confesso que fiquei encantada com as que vi.
E há também as esculturas e instalações. Algumas incríveis. Outras duvidosas... enfim, para todos os gostos e preferências.
Seguem as fotos (as que têm a data foram clicadas pelo Jony Costa ou pela Martita. As sem data são minhas).
Um lago bem na entrada...
Os primeiros canteiros...
Mais um canteiro...

"Indiana Jony" sobre a ponte tremelicante, em busca da tulipa perdida...
Marta e uma das orquídeas premiadas do pavilhão Beatrix
João fazendo micagem...
Hora do banho!
Um dos muitos campos de flores da região. E esse nem estava tão florido!
Você já abraçou uma árvore hoje?
Perdida no labirinto...
Moinho... Ora, não podia faltar um na paisagem, né?!
Posando com uma modelo usando trajes antigos e típicos.
Jony e Martita... amigos que a vida me deu de presente (e que um cachorro-quente aproximou!)
Tulipas para vocês, meus fieis leitores e leitoras!