Pra melhorar as coisas, é querido, honesto e bom caráter, inteligente, meigo, compreensivo. Um verdadeiro anjo. [Ah! Se ele me desse bola...]
O fato é que estávamos tomando um café e eu disse o quanto ele está melhorando com a idade. Ele sorriu, timidamente, e respondeu: "Que é isso, Cé, eu não me acho tudo isso, não". Quase caí da cadeira, de susto!
Um outro amigo, um grandalhão boníssimo, rapaz simpático e de coração generoso, tem receio de se aproximar de uma garota porque acha que não é tão inteligente nem tão culto quanto ela. E um outro amigo, ainda, evitou se envolver com uma mulher porque achava que não daria conta dela na intimidade.
Sim, os homens também têm dessas coisas!
Minha teoria dos arquétipos cada vez se confirma mais e mais. As mulheres, antes campeãs de insegurança, agora dividem espaço com os homens. Por quê? Desde a Segunda Guerra Mundial, as mulheres foram incentivadas (pressionadas, motivadas...) a deixar suas casas e entrar no mercado de trabalho, ocupando um espaço deixado pelos homens que estavam nos campos de batalha. (Vejam só o cartaz em que Rosie, ícone feminino americano da época, posa para a campanha "We can do it!"). A roda da economia tinha de girar e o setor produtivo não podia parar. A mulherada foi à luta... e adorou! Passou a ganhar o próprio dinheiro (e quem tem o dinheiro tem autonomia... tem poder sobre suas escolhas!). Essa necessidade socioeconômica gerou uma mudança no padrão arquetípico feminino. Antes a mulher tinha papeis bem definidos: era donzela e virginal até se casar. Casada, assumia os cuidados do lar e da família. Virava "Grande Mãe". Se não fosse casada mas exercesse sua sexualidade livremente, era a "Devoradora".Tenho ouvido mulheres de diferentes idades, classes sociais, nacionalidades, etnias e graus de instrução se queixarem da falta de homens. Não faltam homens. Falta, e muito, equilíbrio entre os arquétipos, equilíbrio nas relações. Falta equilíbrio nas relações porque as mulheres deram um salto enorme e muito rápido, movidas, incentivadas e amparadas pela mídia, pela sociedade, pela prórpia natureza humana, enquanto os homens não tiveram nenhum preparo, nem apoio e nenhuma ajuda para entenderem o que viria pela frente e o que veio depois. Chegou a hora de preparar o "homem do futuro" para que as próximas gerações sejam mais equilibradas, para que não haja tanta disputa e tanta insegurança.
Minha geração está espremida entre o pós-guerra e o futuro incerto. Infelizmente, sofremos com algumas consequências negativas da evolução sexual - que parece ter preparado apenas um lado da balança para mudar - o nosso! Com um crescimento desigual, acabamos arcando com mais responsabilidades, mais exigências, maiores demandas e menos companhia. Mulheres superpoderosas e... sozinhas!
Não defendo o retorno aos anos 40 e 50, com a mulher rainha do lar e submissa. Longe disso! Defendo uma tomada de consciência, diálogo franco e aberto, honestidade e transparência nas relações. [Competição selvagem não é saudável.] Há espaço para todos no mundo (natural, corporativo e social). É preciso achar o ponto de equilíbrio!!!
Sei que isso não resolverá décadas de desequilíbrio assim, num estalo. Mas já é um bom começo! Vamos erguer as mangas... com classe e delicadeza. Temos pulso forte, não punhos!



Minha amiga Mercedes me mandou um e-mail, da Espanha, perguntando se estava tudo bem, devido ao meu silêncio no blog. Outra amiga me ligou perguntando por que eu não estava escrevendo. É que decidi pintar meu apartamento, revigorar a decoração [pintando e mudando alguns móveis de lugar] e fazer pequenos reparos no teto de gesso do banheiro - EU MESMA! Não sou profissional mas me viro muito bem. Comprei massa corrida, gesso, tintas, rolinhos, juntei jornais e me lancei na tarefa. Foram duas semanas de trabalho árduo e braçal. Terminava o dia de "artes" de madrugada, cansada e dolorida, e nem me lembrava de escrever. O resultado: paredes clarinhas, uma linda tatuagem na parede, um teto de banheiro meio barrigudo, ambientes e móveis revigorados e repintados, um torcicolo, uma dor aguda na cervical, uma lesão nas costas e uma dor irritante nos braços. O dinheiro que economizei com o pintor gastei com massagista e fisioterapeuta, consertando o estrago no corpo. Mas valeu a pena! E o gostinho de dizer: "Foi feito por mim..." não tem preço!